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Retrospectiva 2009; e que lindo foi 2009. # Janeiro; - Cinema; "A bela Junie", França - Expo; Machado, Museu da Língua - Expo; Saramago, Tomie Ohtake -> Tati Gutierrez - Dança; Cabeça de Orfeu - Show; Vinícius Calderoni, CCSP - Peça; Andaime, João Caetano - Show; Ná Ozzetti & André Mehmari, Cosipa - Gravação/show; Juca Chaves - Peça; Poeta em cena; Roberto Piva/ Glauco Mattoso # Fevereiro; - Expo; Drummond, Casa das Rosas - Expo; "São Paulo a lápis", Caixa Cultural - Peça; "A relações naturais", Giramundo; Itaú Cult. - Peça; "Calígula", Sesc Pinheiros - Peça; "Memórias da Cana", Cia os Fofos; Itaú Cult. - Cinema; "Milk"; EUA - Peça; "História de Amor", últimos capítulos. # Março; - Niver "Dom Augusto" - Show; Chicas, Caixa Cultural - Show; "Celso Sim, vamos logo sem paredes!"; Sesc Santana - Shows; "dia da mulher"; ibirapuera - Lançamento; "dvds Oficina" - Peça; Homemúsica, Sesc Consolação - Palestra; Vinicíus,( Noemi e Eucanaã) sesc Paulista - Cinema; Palavra (En)cantada - Expo; Intempéries/Oca-Ibira -> Pedrivo - Peça; Ascensão e Queda da cidade de Mahagonny, tusp - Sala São Paulo, concerto didático. # Abril; 03 - Show; Clube do Balanço + Fabiana Cozza, Itaú Cult. 09 - Exibição; "Boca de Ouro", Casa da Tati. 10 - ALDEIA; fds de Páscoa. 15 - Niver André; bolo de chocolate com brigadeiro-chocolate 21 - Peça; "Bacantes", Cia de Braga-Pt, Teatro Oficina 23 - Show; "Seu Chico", Studio SP 25 - Peça; "Querô", Folias # Maio; 02 - VIRADA CULTURAL - sábado; Lívia Nestrovski - domingo; Cordel do Fogo Encantado, Leo Cavalcanti, Zeca Baleiro, Novos Baianos 05 - Expo; "Vik Muniz", MASP 08 - Show; Cássia Maria, Livraria da Villa 09 - Filme; Ori, Frei Caneca. 15 - Show; Trupe Chá de Boldo, Oficina 19 - Show; Tiê, Sesc Pompéia 30 - Show-aniversário; Celso Sim, Teatro Oficina 31 - Show; Mawaca, A Hebraica 31 - Expo; Cidades, MCB # Junho; 07 - Expo; Realismo Francês/Vik Muniz, MASP; Eja-Lourenço 07 - Show; Escola de Rock(Thiago), Moema 07 - Peça; "O bailado de Flávio de Carvalho", Sesi 09 - Aula- teatro; "Limiares da Liberdade", Tucarena 13 - Cinema; "Apenas um fim", nacional 20 - Peça; CABARET 68, Sesc Pompéia 23 - Show; Rachel Coutinho, StudioSP 24 - Filme; A canção de Baal, Canal Brasil 29 - Niver; Thiago = Bolo de choc com coco/beijinho # JULHO; -> Férias ! 01 - Peça; "O Banquete", Oficina -> Bia Fuser/ Bruna Ram. 07 - Expos; Oca/ Mam [ "Arte frágil" + "As mulheres..."] 08 - MIS; "Meu mundo em perigo", José Eduardo Belmonte 09 -> feriado. | G. Vermelho + itaú_revistas 12 - Peça; "O bailado de Flávio de Carvalho", Sesi 14 - Expo; Masp; Vik Muniz. 14 - Show; Rubi, Sesc Consolação 18 - Cinema; "A Garota de Mônaco", França 18 - Show; Seu Chico, Anhangabaú. 18 - Luz ! Museu da Língua/ Pinacoteca. 18 - A voz da poesia; Vanessa Bumagny, Biblioteca Alceu Amoroso 24 - Peça; "Anos quase dourados"; Iecj # Agosto; 08 - A voz da poesia; Kléber Albuquerque, Biblioteca Alceu, 18h30 15 - Peça; "O Banquete", Teatro Oficina # Setembro; 26 - Parque; Guido Caloi # Outubro; 18 - Peça; "A Brava", Trianon 20 - Expo; Poussin - Masp 21 - Palestra; Wisnik; "Meu mundo caiu"; internet. 20 - Youpix. MIS 27 - Aula-teatro; Foucault; Tucarena 27 - Show; Bruno Moraes; Studio-sp 29 - Expo; "Virada Russa"; CCBB 29 - Peça; "A descoberta das Américas"; Caixa Cultural 30 -> Satyrianas. # Novembro; 02 - Feriado, segunda; Peça; Cacilda 03 - Concerto; André Mehmari & Gabriel Mirabassi; Cult. Artística 04 - Palestra: "Mitos. O que esperar de nossos ancestrais?"; Tom Jazz 09 - Filme; "O contador de histórias"; Eldorado. 10 - Expo: Rodin, MASP 10 - Peça; "Opereta da Gramática", Olido 10 - Palestra; "O corpo arte"; Zé Celso, CCBB 12 - Show; 5 a seco/ Dani Black; Itaú Cult. -> Rafa Peres 14 - Bolo da Tati( Fécula de Batata) + Iguatemi Campinas. 15 - Almoço tia Maria/ Churras-niver Ivan Montanari. 21 - Michel Melamed, Chacal e cia; Balada Literária 22 - Balada Literária; fim; B_arco, Pinheiros. 25 - Festa do livrom na USP. 25 - Cinema; "Do começo ao fim"; pré-estréia; Usp 27 - Sexta; Show; Tatit, Wisnik, Nestroski e Cia; Sesc Pinheiros. 28 - Itaú Cult. + MASP; Tati em Sp. # Dezembro; 02 - Peça; Rainha[s]; CPFL Campinas - > Bia Miraldi e Cia. 06 - Vestibular; Univesp. 20 - XVI Concerto de Natal( Orquestra de Câmara Brasil Colonial); Igreja do Rosário, BP
Escrito por raugustos às 11h32
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Celestiais | Enciclopédia Encarta, da Microsoft Arcanjo; ser celestial, de hierarquia mais alta que os anjos. Segundo a tradição cristã pertencem ao oitavo dos nove coros de anjos. Por ordem decrescente, estes coros são: serafins, querubins, coroas, dominações, virtudes, poderes, principados, arcanjos e anjos. Anjo; espírito celestial considerado mensageiro, ou intermediário, entre Deus ou os deuses e os homens. Enviados para instruí-los, informá-los ou dirigi-los, podem atuar também como guardiães protetores. A religião cristã ensina que têm liberdade para escolher entre o bem e o mal; existem, portanto, anjos bons e anjos caídos ou maus. Baseando-se nas tradições do judaísmo e do cristianismo, que eram tidas como autênticas revelações anteriores à revelação final de Maomé, o islã desenvolveu sua própria hierarquia angelical. Muitos de seus anjos, tais como os arcanjos Miguel e Gabriel, mostram sua clara inspiração judaico-cristã. Santo; nome dado aos que foram julgados pela Sagrada Congregação para as Causas dos Santos merecedores de culto nos altares. Trata-se do terceiro grau deste processo. O primeiro é a declaração de virtudes heróicas. O segundo é a declaração de bem-aventurança. Finalmente ocorre a canonização, pela qual o cristão falecido é declarado santo. São Paulo, em suas Epístolas, denomina santos todos os cristãos, mas a doutrina estabelece uma hierarquia entre os virtuosos, os beatos e os santos. Também devem ser considerados os doutores santos destinados ao aprendizado sagrado. Por volta do século IV d.C., a prática de venerar os santos difundiu-se com muita força. O Concílio de Trento (1545-1563) afirmou que invocá-los é útil pelos benefícios que se pode obter de Deus através de sua intercessão.
Escrito por raugustos às 10h15
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Vida de artista | Itamar Assumpção
Na vida sou passageiro Eu também motorista Fui trocador motorneiro Antes de ascensorista Tenho dom pra costureiro Para datiloscopista Com queda pra macumbeiro Talento pra adventista Agora sou mensageiro Além de pára-quedista Às vezes mezzo engenheiro Mezzo psicanalista Trejeito de batuqueiro A veia de repentista Já fui peão boiadeiro Fui até tropicalista Outrora fui bom goleiro Hoje sou equilibrista De dia sou cozinheiro À noite sou massagista Sou galo no meu terreiro Nos outros abaixo a crista Me calo feito mineiro No mais vida de artista
Escrito por raugustos às 07h59
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Manhã | Arthur Rimbaud
Não tive uma vez uma juventude amável, fabulosa, a ser narrada sobre folhas de ouro - muita sorte ! Por que crime, por que erro, mereci minha fraqueza atual ? Os que crêem que os animais têm soluços de pena, que doentes desesperam, que os mortos tenham maus sonhos, tratem de contar a minha queda e o meu sonho. Eu não posso me explicar mais que o mendigo com seus contínuos Pater e Ave Maria. Não sei mais falar ! Porém hoje creio ter terminado o relato do meu inferno. Era o inferno; o velho, de que o filho do homem abriu as portas. Do mesmo deserto, à mesma noite, sempre meus olhos cansados se abrem para a estrela de prata, sempre, sem que se comovam os reis da vida, os três magos, o coração, a alma, o espírito. Quando iremos, além das praias e dos montes, saudar o nascimento do trabalho novo, da sabedoria nova, a fuga dos tiranos e demônios, o fim da supertição, adorar, - os primeiros! - O Natal na terra ! O cântico dos céus, a marcha dos povos! Escravos, não amaldiçoemos a vida.
Escrito por raugustos às 10h00
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Zé Celso retoma a trajetória de Cacilda Becker no palco | Beth Néspoli, de O Estado de S. Paulo; 3 de outubro de 2009 
Diretor retrata a saga de uma geração ao completar a história da atriz na sua fase carioca dos anos 40 SÃO PAULO - O Teatro Oficina sempre surpreende. Portas abertas, espera-se ver a grande pista de madeira e eis que o espectador se depara com uma tradicional cortina vermelha de palco. Passa-se por ela e lá está a pista, porém suspensa, é preciso descer uma escada para chegar à passarela, que ganhou as linhas sinuosas do calçadão de Copacabana. Próximo à cortina vermelha, o músico e ator Guilherme Calzavara tira um som de seu sax - pouco depois ele entrará em cena como o Zé Carioca, isso mesmo, o personagem dos quadrinhos da Disney. Mas ainda não começou o ensaio de Estrela Brasyleira a Vagar, Cacilda!! - agora com duas exclamações, o segundo espetáculo escrito em parceria com Marcelo Drummond e dirigido por Zé Celso em torno da vida da atriz - acompanhado pelo Estado na noite fria de quarta-feira. Do lado de fora, o percussionista Ito Alves acende o fogo numa espécie de pira, que logo leva para dentro do teatro. No fundo da pista, próximo ao janelão de vidro que deixa avistar o céu, Letícia Coura toca um samba no seu cavaquinho. No centro, vê-se um pequeno palco circular em forma de roleta. Logo sobre ele estará Cacilda Becker - interpretada com por Ana Guilhermina - no Cassino Copacabana, na Companhia de Comédia do galã Raul Roulien, no Rio, na década de 40. Nas duas laterais da pista já estão acomodadas as malas que farão as vezes de camarim para os atores dessa peça, que trata dos bastidores do teatro, mais especificamente, do período que vai de 1941 a 1948, numa trajetória que tem início quando a dançarina Cacilda, com apenas 20 anos de idade, sai de Santos e vai para o Rio integrar o Teatro do Estudante, levada pelo crítico Miroel Silveira (Lucas Weglinski) Vozes aquecidas, músicas ensaiadas, objetos de cena conferidos, o público supostamente já dentro do teatro, a atriz Camila Mota vem ao centro da pista para o aviso padrão de desliguem os celulares... Padrão? Não no Oficina. "Podem fotografar à vontade, colocar as imagens no orkut, facebook, YouTube, onde quiserem. Só não usem flashes", diz ela. E ainda avisa que haverá um bar, debaixo do viaduto, para comer alguma coisa no intervalo. Blackout. No telão aparece Bete Coelho, na montagem anterior, Cacilda!, uma exclamação, despedindo-se da família em Santos para ir ao Rio. De mala em punho, muito emocionada, ela entra no alçapão do teatro. Ato contínuo, sai do centro do palco-roleta Ana Guilhermina, linda e, como o espetáculo revelará, igualmente forte no papel. Ela é Cacilda aos 20 anos e sai em plena Central do Brasil. A cortina vermelha se abre e a sonoridade e o colorido do Rio de Janeiro da década de 40 se instaura na pista. Além de sambistas e Zé Carioca descem pelas escadas os prédios de Copacabana, coloridos parangolés dançantes vestidos por atores. A partir daí o público fará um passeio pela história da atriz, do teatro e do Brasil, no primeiro período aprendizagem da Cacilda, que chega ao Rio aos 20 anos, na época áurea da rádio, do samba, da arquitetura moderna. Pelo palco passam desde Getúlio Vargas e Nelson Rodrigues (Victor Steinberg), Bibi Ferreira (Camila Mota), Procópio e Raul Roulien (Marcelo Drummond), Tito Fleury (Ronaldo Dias Paes), marido de Cacilda, até personagens das peças nas quais a atriz trabalhou. Há ainda um constante diálogo entre cena e projeções nos telões. Por exemplo, numa entrevista realizada pelo jornalista Tito Fleury, Ana Guilhermina faz pose para a câmera e, no telão, surge a foto de época, Cacilda Becker com 21 anos. Zé Celso tomou como base as cartas escritas pela atriz à família. O espetáculo arrebata em muitos momentos e tem entre seus pontos altos a música, sempre executada ao vivo, por uma banda. Na pista, soam as vozes das atrizes-cantoras, fortíssimas: Letícia Coura, Adriana Capparelli, Cellia Nascimento e Naomy Scholling, esta última também de canto lírico. Por que voltar à essa atriz que já rendera Cacilda!, uma das mais bonitas montagens do Oficina? "Teatro se aprende com a geração anterior e o AI5, que matou Cacilda, impediu essa passagem. Era uma geração que fazia teatro para todos. Hoje a cultura está muito setorizada. Memória não é nostalgia, é antropofagia. A memória projeta a gente para o futuro." Depoimento de Zé Celso sobre Cacilda "Eu me entusiasmei com Cacilda desde a primeira vez que a vi em cena. Era uma transmissão elétrica. Magnetizava. Trazia à tona instinto e inconsciente. Tinha o corpo elétrico de que Artaud falava. Era uma atriz ciber, à frente de seu tempo. Temos de aprender com essa geração de Procópio e Grande Othelo. Ela aprendeu e depois comeu os diretores do TBC. Não incorporou aquela interpretação abstrata e cafona de ator inglês com copo de mate leão fingindo ser uísque. Cacilda foi o João Gilberto do teatro. O que ele fez na música, ela fez no teatro, só que não foi assimilada porque teve o corte do AI5. Temos que aprender com essa geração que deu Niemeyer, Darci Ribeiro, Gustavo Capanema, Lina Bardi, Drummond de Andrade, Villa-Lobos, Bidu Sayão, Rádio Nacional, e o samba. O samba é forte, profundo. No samba você chora na alegria e ri na tristeza, é como a tragédia grega. O que faço é teatro rebolado. É essencial para a cultura brasileira retomar isso." Estrela Brazyleira a Vagar - Cacilda!! 330 min. 16 anos. Teatro Oficina (350 lug.). Rua Jaceguai, 520, Bela Vista, 3106- 2818. Sáb. e dom., a partir das 18 horas. R$ 40. Até 15/11
Escrito por raugustos às 11h50
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Benditas | Mart’nália - Zélia Duncan Benditas coisas que eu não sei Os lugares onde não fui Os gostos que não provei Meus verdes ainda não maduros Os espaços que ainda procuro Os amores que eu nunca encontrei Benditas coisas que não sejam benditas A vida é curta Mas enquanto dura Posso durante um minuto ou mais Te beijar pra sempre o amor não mente, não mente jamais E desconhece do relógio o velho futuro O tempo escorre num piscar de olhos E dura muito além dos nossos sonhos mais puros Bom é não saber o quanto a vida dura Ou se estarei aqui na primavera futura Posso brincar de eternidade agora Sem culpa nenhuma
Escrito por raugustos às 12h38
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Feito pra acabar | José Miguel Wisnik/ Marcelo Jeneci/ Paulo Neves Quem me diz da estrada que não cabe onde termina Da luz que cega quando te ilumina Da pergunta que emudece o coração? Quantas são as dores e as alegrias de uma vida Jogadas na explosão de tantas vidas Nesse escudo que não cabe no querer Vai saber se olhando bem no rosto do impossível O véu, o vento, o alvo, o invisível Se desvenda o que nos uni ainda sim A gente é feito pra acabar A gente é feito pra dizer que sim A gente é feito pra caber no mar E isso nunca vai ter fim.
Escrito por raugustos às 15h51
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Poema em Linha Reta | Álvaro de Campos/ F. Pessoa Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Escrito por raugustos às 18h23
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brincando de Twitter | http://twitter.com/raugustos - custo x benefíco; tempos pedem extrema atenção. 3:32 PM Sep 14th from web - @peresrafaperes [do pensar ] um tanto trágico isso, mas ainda assim queria conseguir aproximar-me mais disso. 5:44 PM Sep 13th from web in reply to peresrafaperes - hoje; necessário passeio pela Lapa; espero ter a colaboração de S. Pedro. 5:30 PM Sep 13th from web - o Raul ( e outros) dizia que "quem gosta de maçã/ Irá gostar de todas", não posso concordar, as maçãs NÃO são iguais, mesmo ! FATO 11:03 PM Sep 12th from web - interessante a teoria do alemão "Das Jesus Video"(2002) que passou no A&E; relígião e ciência, sempre suscita indagações. 11:00 PM Sep 12th from web - bom isso; http://www.conjuga-me.net/ 1:57 PM Sep 12th from web - feriado de semi reclusão; tempos suscitam-na. 6:58 PM Sep 7th from web - RT @andrerlima O problema do pobre, não é ser pobre. O problema do pobre é só ter amigo pobre (José Serra) 1:50 PM Sep 5th from web - @drummondandrade Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor. 7:35 AM Sep 2nd from web - ontem; "Álbum De Famíla" ( Brasil, 1981, 67m) do Braz Chediak; Nelson suscita sempre saber mais. 10:25 AM Aug 30th from web - e vamos nós; buscar na noite a felicidade do dia, ao Bardo inglês... 11:10 PM Aug 28th from web - @peresrafaperes tbm recebi ! crio q vemo-nos lá. :) 9:01 AM Aug 28th from web in reply to peresrafaperes - ventos melhores estão vindo e vindo...
Escrito por raugustos às 16h03
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Por Toda Minha Vida | VINÍCIUS e Tom
Minha bem-amada Quero fazer-te um juramento uma canção Eu prometo, por toda a minha vida Ser somente teu e amar-te como nunca Ninguém jamais amou, ninguém
Minha bem-amada Estrela pura aparecida Eu te amo e te proclamo O meu amor O meu amor Maior que tudo quanto existe Oh, meu amor
Escrito por raugustos às 11h58
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Itaú Cultural: Ocupação Zé Celso - 30 de julho a 06 de setembro 
Um Zé Celso inédito e outro íntimo do público tomam o térreo do Itaú Cultural
O multiartista protagoniza a segunda "ocupação" da série que o Itaú Cultural programa para todo o ano com mostras de personalidades de referência para as atuais gerações nas artes visuais, cênicas e da literatura; a primeira exposição trouxe obras do artista plástico Nelson Leirner, esta apresenta, pela primeira vez, imagens e fases desconhecidas de Zé junto à sua história mais completa.
A mais pura gênese do advogado, artista, diretor de teatro e de cinema, ator, músico e compositor José Celso Martinez Corrêa pode ser conhecida de 30 de julho a 6 de setembro no Itaú Cultural – com coquetel para convidados no dia 29, quando o próprio homenageado, em uma atuação rara e intimista, tocará piano para os presentes. A Ocupação Zé Celso traz fotos e documentos inéditos acompanhando o artista da sua infância aos dias de hoje.
Em 169 metros quadrados, centenas de fotos, 12 sets com cenários representativos de cada época, 33 monitores, sete projetores e até um quarto, chamado Paucucama, cujas projeções só poderão ser vistas por maiores de 18 anos, compõem o mosaico da vida e obra desta que é uma das personalidades mais importantes do teatro brasileiro. O evento é parte da série de mostras de curta temporada, programada pela instituição, sobre veteranos consagrados que servem de referência e influência às novas gerações de artistas que despontam nas artes visuais, no teatro e na literatura.
Organizada pelo Núcleo de Artes Cênicas do instituto, a curadoria da Ocupação Zé Celso é do ator, diretor e produtor de teatro Marcelo Drummond – há mais de 20 anos no Teatro Oficina – e da videomaker Elaine Cesar. Responsável pela criação de Ethernidade, um HD sobre os 50 anos do Teatro Oficina, nesta mostra ela também assina o projeto expográfico.
"Quando começamos a falar sobre a exposição, pensamos nos penetráveis de Hélio Oiticica", conta Drummond para explicar: "Não é a mesma coisa, mas o que nos chamava a atenção era produzir ambientes sobre cada episódio da vida de Zé Celso e a vontade de que cada espectador possa experimentar como se fosse um parangolé, e penetrá-lo."
O multiartista nasceu em Araraquara em março de 1937, e foi rebatizado Zé Celso na capital, nos anos 60. De lá para cá, protagonizou e produziu uma farta obra, que se confunde com a sua história de vida, até hoje pouco conhecida. O material de pesquisa foi pinçado por Drummond e Elaine e uma equipe do Teatro Oficina entre os diferentes espaços por onde se espalha o legado pessoal e teatral de Zé Celso – álbuns da família Martinez Correa e dele mesmo, arquivos na Unicamp e do Instituto Moreira Salles, gavetas no Oficina, testemunhos do próprio registrados nas centenas de entrevistas de todos os gêneros que já deu –, resultando em uma compilação de informações como ninguém reuniu até hoje.
Todo este material pesquisado vai subsidiar, ainda, documentário sobre a vida do artista. Dirigido por Tadeu Jungle e Elaine Cesar, com realização do Itaú Cultural, será lançado em dezembro.
A ocupação
O formato da Ocupação Zé Celso é labiríntico e irrequieto, condizente com o espírito do homenageado. Sem obedecer necessariamente a uma ordem cronológica, e também não sendo obrigado a seguir um percurso linear, aos poucos o visitante acompanha os principais momentos de transformação do artista. Uma gigantesca foto dele inaugura a exposição, ao mesmo tempo em que as portas de entrada no Itaú Cultural se abrem. Em seguida, vem o primeiro e surpreendente set que revela o lado "careta" de Zé, com mais de 160 porta-retratos com imagens da infância, família, escola e até namoradas do araraquarense, incluindo textos inéditos escritos de próprio punho.
Um corredor remete ao primeiro contato do dramaturgo com o teatro, quando escreveu Vento Forte para Papagaio Subir. Já o terceiro set, uma espécie de lounge cool, representa o momento Bossa Nova e pequeno burguês de Zé Celso e os seus primeiros contatos com os textos de Jean Paul Sartre. Este espaço apresenta, ainda, o inquieto e irreverente grupo do Teatro Oficina, surgido da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e liderado por ele; a encenação de Pequenos Burgueses, e o posterior incêndio do teatro.
Multimídia, colorido, caótico e altamente sonoro é o set que representa um dos momentos mais marcantes não só da vida de Zé Celso como de toda a dramaturgia brasileira: a encenação de O Rei da Vela no Oficina. Este espaço recebe a foto ampliada de Oswald de Andrade, autor da peça, e entre as mil imagens encontram-se trechos de outras peças seminais de Zé Celso que o afastaram de vez da Tropicália: Roda Viva, Selva da Cidade, Graça Senhor, As Três Irmãs, Galileu, Galilei.
Do frenesi se passa à escuridão na vida do dramaturgo, estilizada por um sombrio corredor em uma remissão à sua prisão e às torturas a que foi submetido pela ditadura militar. Outro espaço com projeções de filmes e referências ao período trata de seu exílio em Portugal, França, Moçambique; outro de seus momentos revolucionários que apresenta, ainda, a pouco conhecida faceta cineasta de Zé Celso. Mais um set, este com 20 televisores, mostra a chamada época do ócio do direto, nos anos 80, quando ele produziu muito, mas exibiu pouco do que criou. Os monitores revelam um farto percurso criativo registrado pelo artista. "Nada de ócio", pontua Elaine registrando a existência de muitas horas gravadas, a maioria em VHS's. "Desde reuniões subterrâneas do grupo buscando formas de arrecadar verbas; leituras de texto e ensaios até gravações do cotidiano feitas pelo Marcelo", completa ela e observa: "A aquisição da câmera pelo Oficina, plantou nesse momento a semente da realização do sonho do Zé de criar o tão famoso Terreiro Eletrônico"
Não poderia faltar, ainda, um recanto especial para representar Os Sertões, uma das fases mais fortes da produção atual do artista. O "quarto proibido", não recomendado para menores de 18 anos, e com entrada para poucas pessoas de cada vez, traz as imagens que são marca registrada de sua obra – as cenas de corpos nus.
Por fim, um espaço repleto de "momentos Zé Celso": o Estúdio Paraíso, com paredes forradas de anotações dele, fotos do seu cotidiano, folhas reproduzidas das centenas de seus cadernos. O corredor com uma homenagem ao seu irmão Luiz Antônio Martinez Corrêa, morto em seu apartamento no Rio de Janeiro, na véspera do Natal de 1987, com 80 facadas. E no centro o Cubo. Uma experiência em vídeo e som de 5 minutos, com projeções nas quatro paredes.
No Centro de Documentação e Referência do Itaú Cultural, o público interessado poderá assistir, ainda, a grande parte da produção do encenador, além de programas de entrevistas, como o Roda Viva da TV Cultura.
SERVIÇO - Ocupação Zé Celso 29 de julho, coquetel de abertura De 30 de julho a 6 de setembro De terça a sexta, das 10h às 21h Sábs., doms. e feriados, das 10h às 19h - Entrada franca
FICHA TÉCNICA Curadoria: Marcelo Drummond e Elaine Cesar Projeto expográfico: Elaine Cesar Cenografia e arte: Rafael Ghirardello Vídeo: Jair Molina Jr Musica: Guilherme Calzavara e Otávio Ortega Iluminação: Arnaldo Mesquita Produção de imagem e pesquisa: Valério Peguini, Cassandra Melo e Solange Santos Apóio gráfico: Rafael Gonçalves
Itaú Cultural Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô Fones: 11. 2168-1776/1777 www.itaucultural.org.br
Escrito por raugustos às 12h34
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É contra mim que luto | Miguel Torga
É contra mim que luto.
Não tenho outro inimigo.
O que penso, o que sinto, o que digo, e o que faço, é que pede castigo e desespera a lança no meu braço.
Absurda aliança de criança e adulto, o que sou é um insulto ao que não sou; e combato esse vulto que à traição me invadiu e me ocupou.
Infeliz com loucura e sem loucura, peço à vida outra vida, outra aventura, outro incerto destino.
Não me dou por vencido, nem convencido. E agrido em mim o homem e o menino.
Escrito por raugustos às 15h59
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Aprender a Ver | Friedrich Nietzsche, in "Crepúsculo dos Ídolos" 
Aprender a ver - habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo — tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir. — Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa «objectividade» moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence.
Escrito por raugustos às 11h22
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Ela foi encontrada! Quem? A eternidade. É o mar misturado Ao sol. Minha alma imortal, Cumpre a tua jura Seja o sol estival Ou a noite pura. Pois tu me liberas Das humanas quimeras, Dos anseios vãos! Tu voas então... — Jamais a esperança. Sem movimento. Ciência e paciência, O suplício é lento. Que venha a manhã, Com brasas de satã, O dever É vosso ardor. Ela foi encontrada! Quem? A eternidade. É o mar misturado Ao sol. Rimbaud
Escrito por raugustos às 11h39
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Cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da baixa | F. Pessoa/ Álvaro de Campos 
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara, Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele; E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha (Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro: Não sou parvo nem romancista russo, aplicado, E romantismo, sim, mas devagar...). Sinto uma simpatia por essa gente toda, Sobretudo quando não merece simpatia. Sim, eu sou também vadio e pedinte, E sou-o também por minha culpa. Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte: E' estar ao lado da escala social, E' não ser adaptável às normas da vida, 'As normas reais ou sentimentais da vida - Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta, Não ser pobre a valer, operário explorado, Não ser doente de uma doença incurável, Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria, Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas, E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor. Não: tudo menos ter razão! Tudo menos importar-se com a humanidade! Tudo menos ceder ao humanitarismo! De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela? Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou, Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente: E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio, E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte. Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki. Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir. E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece. Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato, E estou-me rebolando numa grande caridade por mim. Coitado do Álvaro de Campos! Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações! Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia! Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos, Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita, Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa! Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo! E, sim, coitado dele! Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam, Que são pedintes e pedem, Porque a alma humana é um abismo. Eu é que sei. Coitado dele! Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma! Mas até nem parvo sou! Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais. Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido. Não me queiram converter a convicção: sou lúcido! Já disse: sou lúcido. Nada de estéticas com coração: sou lúcido. Merda! Sou lúcido.
Escrito por raugustos às 11h38
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