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A liberdade ! A liberdade ! A liberdade ! | Kléber Albuquerque/ Tata Fernandes (Então, como é que é, diz aí) Então tá Faz de conta que ninguém tá te olhando E bota a corda da coragem no pescoço Roi a carne da verdade até chegar no osso Até chegar no osso Tira da cara a máscara o próprio rosto É na cabeça onde mora o perigo Dentro da fruta onde mora o caroço É na cabeça onde mora o perigo Dentro da fruta onde mora o caroço A verdade é uma só A verdade é muito diferente A verdade é uma só Na verdade é só seguir em frente A liberdade ! A liberdade ! A liberdade ! A liberdade ! A liberdade ! A liberdade ! A liberdade ! A liberdade ! A liberdade ! É do tamanho da CORRENTE.
Escrito por raugustos às 11h22
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Janela da alma: uma crônica sobre ver e enxergar“Que as forças cegas se domem pela visão que a alma tem!” – Fernando Pessoa Está na programação do Canal Brasil (Net/Sky) o documentário Janela da Alma (Brasil, 2002), de João Jardim e Walter Carvalho. São dezenove depoimentos sobre a visão, ou sobre a falta dela. O que se tenta é mostrar como diferentes graus de deficiência visual podem influenciar a vida das pessoas. No caso dos entrevistados, a preocupação com o “ver” é ainda mais presente e na maioria das vezes matéria-prima de trabalho, já que falamos de cineastas, atores, diretores e mesmo de um fotógrafo cego. Com destaque para personalidades como José Saramago, Agnès Varda, Wim Wenders e Hermeto Paschoal, o filme é uma “colagem” onde as experiências e opiniões dessas pessoas estão intercaladas por imagens que buscam dar ao expectador a idéia do que é enxergar o mundo fora de foco, ou com muito foco. O título remete à citação atribuída a Leonardo Da Vinci de que “os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo”. A ordem das falas não é rígida e não parece haver um ponto de vista a ser defendido, o que torna o filme bastante informal e “leve”, mas não menos denso, já que as possibilidades de reflexão são inúmeras, dependendo também das experiências de vida de cada espectador. Difícil assistir ao filme e não sentir imediata empatia por pessoas como Hermeto Paschoal ou pelo simpático vereador cego da cidade de Belo Horizonte, cidade cujo nome está coincidentemente vinculado ao tema do filme. Reveladoras são as falas da cineasta Agnès Varda e da animadora Marjut Rimminen. A primeira conta como o amor pelo falecido marido Jacques Démy influenciou seu olhar. Segundo ela, há coisas que só um olhar apaixonado é capaz de perceber. Ao mesmo tempo, ao filmá-lo já doente e poucos meses antes de sua morte, ela mostra como registrar cada ínfimo detalhe da pele dele (coisa que realmente só interessa a quem ama) acaba sendo uma forma de lutar para não perdê-lo. É o registro que tantas vezes é vital para nos lembrarmos do que somos e do que sentimos, a imagem que capturamos e que se torna parte de nós. Já Marjut Rimminen fala não do que vemos, mas de como somos vistos. Todo o trabalho dela com cinema de animação é pautado pelo sentimento de ser vista como alguém incapaz, uma pessoa a ser excluída ou subestimada por sua deficiência, e o depoimento dela fala de como tal sentimento influenciou sua vida e até proporcionou seu sucesso. Não menos importante, e provavelmente a mais lembrada do filme, é a declaração de Wim Wenders, diretor de “Asas do Desejo”, de que já tentou usar lentes de contato, mas abandonou-as porque desta maneira acabava “vendo demais” e sentia falta da “moldura” que só os óculos são capazes de oferecer ao seu olhar. O paralelo óbvio, mas que não deixa de ser verdadeiro, é com o mundo moderno, onde somos bombardeados por informações e imagens como em um constante vídeo clipe. Talvez nos falte realmente uma moldura que nos permita enxergar apenas aquilo que realmente precisamos observar com atenção. Mesmo o ritmo bastante próprio do filme, aparentemente lento, pode causar estranhamento às pessoas da “geração MTV”. O fato é que o filme toca, mesmo que involuntariamente talvez, uma antiga questão filosófica: a beleza é inerente ao mundo ou só existe porque somos capazes de percebê-la através da visão? Depoimentos como os de Hermeto Paschoal ou de Oliver Sacks apontam para a constatação de que realmente vivemos a “domar as forças cegas do mundo”, atribuindo automaticamente significado ao que vemos. Parece ser realmente impossível ver sem sentir (o contrário não é verdadeiro). O que nossas retinas captam é apenas uma pequena parte daquilo que enxergamos. Ainda bem, pois nossa alma é capaz de criar infinitos mundos além do “real”, e todos eles podem estar visíveis através da “janela”, também para quem está de fora. Ao sair do cinema - quando vi o filme pela primeira vez, em 2002 - fui questionado sobre o fato de estar sem os óculos, já que a luminosidade da tela costuma agredir meus olhos. Pensei comigo que nem havia dado pela falta deles, e que há muito para ver em “Janela da Alma”, mesmo com a imagem um tanto desfocada. - extraído do blog Hedonismos [http://www.interney.net/blogs/hedonismos/ ]
Escrito por raugustos às 20h10
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"Você considera comer ostras moral e comer caracóis imoral? É uma questão de gosto,não? E gosto não é o mesmo que apetite... Portanto, a questão não é moral, certo? Meu gosto inclui caracóis e ostras."
Autor: Stanley Kubrick em "Spartacus"
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Categoria: Citação
Escrito por raugustos às 21h52
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Amores do século XXI (baseado em fatos reais) - Fiquei seis meses procurando uma namorada pela internet! E nada! - Ela disse que acabou, não aguenta mais a nossa relação. Eu pedi prá ela repensar, nossa relação precisava de uma nova chance, chorei. Ela disse que vai ao analista na quinta e depois disso a gente pode conversar. - Eu tenho um amante virtual, um soldado iraquiano, com quem me correspondo por msn toda madrugada. E ele é curioso prá saber o que é uma transex! Já vi imagens de Bagdad destruída pela câmera do meu amante. [ extraído do Blog do Rodolfo Galcia Vasqués, da Cia. Os Satyros - http://olhossempreabertos.zip.net/ ]
Escrito por raugustos às 21h49
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Eu Menti Pra Você | Karina Buhr Eu sou uma pessoa má Eu menti pra você Eu sou uma pessoa má Eu menti pra você Você não podia esperar ouvir uma mentira de mim Que pena, não sou o que você quer de mim (2x) Se você tiver que escolher entre você e o seu amor Você escolhe quem, você escolhe quem? Se você tiver que escolher entre você e o seu amor Your love, your love, your love Talvez o tempo possa me livrar da culpa Que eu não sei se vem de mim ou da cruz de jesus Mas eu tenho ainda um grande amor pra te dar Quero saber se você aceita ele como for My love is your love
Escrito por raugustos às 12h37
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Cultura | Joseph Brodsky Por si só, a realidade não vale nada. É a percepção que dá sentido à realidade. Existe uma hierarquia entre as percepções e os sentidos. As mais refinadas e sensíveis figuram no topo. Refinamento e sensibilidade se originam na única fonte possível: a cultura, cujo instrumento principal é a linguagem. A avaliação da realidade feita através de um prisma como este – a cultura – é, portanto, a mais precisa; provavelmente, a mais justa. As acusações de “elitismo” que fiquem sem resposta. A aplicação de princípios democráticos neste campo seria o mesmo que equiparar a sabedoria à idiotice.
Escrito por raugustos às 22h37
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São | Kristoff Silva / Makely Ka De Tatit a Itamar - Do Tietê ao Butantã Já cantaram tuas ruas - Praças e avenidas De Arrigo a Ribamar - Do Brás ao Trianon Teus viadutos, vales, becos sem saída Do Wandi ao Gudin - Do Bexiga ao Itahim Gente de todo lugar - Tipos de toda espécie De Pereira a Adoniran - Da Liberdade ao Carandiru Cantaram por toda a cidade - Fizeram tua prece Tom Zé veio de Irará - Rita de Americana Belchior do Ceará - Chico é paraibano Careqa é do Paraná - Arnaldo é paulistano No Sumaré eu vi Ceumar - Salmaso em Vila Mariana Virgínia no viaduto do chá - Suzana no Salesiano Geraldo Filme foi filmar um clipe com Fellini E o Ira! Vai tocar Ronda do Vanzolini Fui ver a Ná cantar - No Ibirapuera Tetê também tava lá - Imitando Uirapuru Quem foi trocando idéia da Sé até Jabaquara Foi Zé Miguel com Mano Brown - Que pegaram a linha azul Essa parceria aproximou o centro da periferia O erudito e o popular - A rua da academia
Escrito por raugustos às 11h08
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Retrospectiva 2009; e que lindo foi 2009. # Janeiro; - Cinema; "A bela Junie", França - Expo; Machado, Museu da Língua - Expo; Saramago, Tomie Ohtake -> Tati Gutierrez - Dança; Cabeça de Orfeu - Show; Vinícius Calderoni, CCSP - Peça; Andaime, João Caetano - Show; Ná Ozzetti & André Mehmari, Cosipa - Gravação/show; Juca Chaves - Peça; Poeta em cena; Roberto Piva/ Glauco Mattoso # Fevereiro; - Expo; Drummond, Casa das Rosas - Expo; "São Paulo a lápis", Caixa Cultural - Peça; "A relações naturais", Giramundo; Itaú Cult. - Peça; "Calígula", Sesc Pinheiros - Peça; "Memórias da Cana", Cia os Fofos; Itaú Cult. - Cinema; "Milk"; EUA - Peça; "História de Amor", últimos capítulos. # Março; - Niver "Dom Augusto" - Show; Chicas, Caixa Cultural - Show; "Celso Sim, vamos logo sem paredes!"; Sesc Santana - Shows; "dia da mulher"; ibirapuera - Lançamento; "dvds Oficina" - Peça; Homemúsica, Sesc Consolação - Palestra; Vinicíus,( Noemi e Eucanaã) sesc Paulista - Cinema; Palavra (En)cantada - Expo; Intempéries/Oca-Ibira -> Pedrivo - Peça; Ascensão e Queda da cidade de Mahagonny, tusp - Sala São Paulo, concerto didático. # Abril; 03 - Show; Clube do Balanço + Fabiana Cozza, Itaú Cult. 09 - Exibição; "Boca de Ouro", Casa da Tati. 10 - ALDEIA; fds de Páscoa. 15 - Niver André; bolo de chocolate com brigadeiro-chocolate 21 - Peça; "Bacantes", Cia de Braga-Pt, Teatro Oficina 23 - Show; "Seu Chico", Studio SP 25 - Peça; "Querô", Folias # Maio; 02 - VIRADA CULTURAL - sábado; Lívia Nestrovski - domingo; Cordel do Fogo Encantado, Leo Cavalcanti, Zeca Baleiro, Novos Baianos 05 - Expo; "Vik Muniz", MASP 08 - Show; Cássia Maria, Livraria da Villa 09 - Filme; Ori, Frei Caneca. 15 - Show; Trupe Chá de Boldo, Oficina 19 - Show; Tiê, Sesc Pompéia 30 - Show-aniversário; Celso Sim, Teatro Oficina 31 - Show; Mawaca, A Hebraica 31 - Expo; Cidades, MCB # Junho; 07 - Expo; Realismo Francês/Vik Muniz, MASP; Eja-Lourenço 07 - Show; Escola de Rock(Thiago), Moema 07 - Peça; "O bailado de Flávio de Carvalho", Sesi 09 - Aula- teatro; "Limiares da Liberdade", Tucarena 13 - Cinema; "Apenas um fim", nacional 20 - Peça; CABARET 68, Sesc Pompéia 23 - Show; Rachel Coutinho, StudioSP 24 - Filme; A canção de Baal, Canal Brasil 29 - Niver; Thiago = Bolo de choc com coco/beijinho # JULHO; -> Férias ! 01 - Peça; "O Banquete", Oficina -> Bia Fuser/ Bruna Ram. 07 - Expos; Oca/ Mam [ "Arte frágil" + "As mulheres..."] 08 - MIS; "Meu mundo em perigo", José Eduardo Belmonte 09 -> feriado. | G. Vermelho + itaú_revistas 12 - Peça; "O bailado de Flávio de Carvalho", Sesi 14 - Expo; Masp; Vik Muniz. 14 - Show; Rubi, Sesc Consolação 18 - Cinema; "A Garota de Mônaco", França 18 - Show; Seu Chico, Anhangabaú. 18 - Luz ! Museu da Língua/ Pinacoteca. 18 - A voz da poesia; Vanessa Bumagny, Biblioteca Alceu Amoroso 24 - Peça; "Anos quase dourados"; Iecj # Agosto; 08 - A voz da poesia; Kléber Albuquerque, Biblioteca Alceu, 18h30 15 - Peça; "O Banquete", Teatro Oficina # Setembro; 26 - Parque; Guido Caloi # Outubro; 18 - Peça; "A Brava", Trianon 20 - Expo; Poussin - Masp 21 - Palestra; Wisnik; "Meu mundo caiu"; internet. 20 - Youpix. MIS 27 - Aula-teatro; Foucault; Tucarena 27 - Show; Bruno Moraes; Studio-sp 29 - Expo; "Virada Russa"; CCBB 29 - Peça; "A descoberta das Américas"; Caixa Cultural 30 -> Satyrianas. # Novembro; 02 - Feriado, segunda; Peça; Cacilda, Oficina 03 - Concerto; André Mehmari & Gabriel Mirabassi; Cult. Artística 04 - Palestra: "Mitos. O que esperar de nossos ancestrais?"; Tom Jazz 09 - Filme; "O contador de histórias"; Eldorado. 10 - Expo: Rodin, MASP 10 - Peça; "Opereta da Gramática", Olido 10 - Palestra; "O corpo arte"; Zé Celso, CCBB 12 - Show; 5 a seco/ Dani Black; Itaú Cult. -> Rafa Peres 14 - Bolo da Tati( Fécula de Batata) + Iguatemi Campinas. 15 - Almoço tia Maria/ Churras-niver Ivan Montanari. 21 - Michel Melamed, Chacal e cia; Balada Literária 22 - Balada Literária; fim; B_arco, Pinheiros. 25 - Festa do livro na USP. 25 - Cinema; "Do começo ao fim"; pré-estréia; Usp 27 - Sexta; Show; Tatit, Wisnik, Nestroski e Cia; Sesc Pinheiros. 28 - Itaú Cult. + MASP; Tati em Sp. # Dezembro; 02 - Peça; Rainha[s]; CPFL Campinas - > Bia Miraldi e Cia. 20 - XVI Concerto de Natal( Orquestra de Câmara Brasil Colonial); Igreja do Rosário, BP
Escrito por raugustos às 11h32
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Celestiais | Enciclopédia Encarta, da Microsoft Arcanjo; ser celestial, de hierarquia mais alta que os anjos. Segundo a tradição cristã pertencem ao oitavo dos nove coros de anjos. Por ordem decrescente, estes coros são: serafins, querubins, coroas, dominações, virtudes, poderes, principados, arcanjos e anjos. Anjo; espírito celestial considerado mensageiro, ou intermediário, entre Deus ou os deuses e os homens. Enviados para instruí-los, informá-los ou dirigi-los, podem atuar também como guardiães protetores. A religião cristã ensina que têm liberdade para escolher entre o bem e o mal; existem, portanto, anjos bons e anjos caídos ou maus. Baseando-se nas tradições do judaísmo e do cristianismo, que eram tidas como autênticas revelações anteriores à revelação final de Maomé, o islã desenvolveu sua própria hierarquia angelical. Muitos de seus anjos, tais como os arcanjos Miguel e Gabriel, mostram sua clara inspiração judaico-cristã. Santo; nome dado aos que foram julgados pela Sagrada Congregação para as Causas dos Santos merecedores de culto nos altares. Trata-se do terceiro grau deste processo. O primeiro é a declaração de virtudes heróicas. O segundo é a declaração de bem-aventurança. Finalmente ocorre a canonização, pela qual o cristão falecido é declarado santo. São Paulo, em suas Epístolas, denomina santos todos os cristãos, mas a doutrina estabelece uma hierarquia entre os virtuosos, os beatos e os santos. Também devem ser considerados os doutores santos destinados ao aprendizado sagrado. Por volta do século IV d.C., a prática de venerar os santos difundiu-se com muita força. O Concílio de Trento (1545-1563) afirmou que invocá-los é útil pelos benefícios que se pode obter de Deus através de sua intercessão.
Escrito por raugustos às 10h15
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Vida de artista | Itamar Assumpção
Na vida sou passageiro Eu também motorista Fui trocador motorneiro Antes de ascensorista Tenho dom pra costureiro Para datiloscopista Com queda pra macumbeiro Talento pra adventista Agora sou mensageiro Além de pára-quedista Às vezes mezzo engenheiro Mezzo psicanalista Trejeito de batuqueiro A veia de repentista Já fui peão boiadeiro Fui até tropicalista Outrora fui bom goleiro Hoje sou equilibrista De dia sou cozinheiro À noite sou massagista Sou galo no meu terreiro Nos outros abaixo a crista Me calo feito mineiro No mais vida de artista
Escrito por raugustos às 07h59
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Manhã | Arthur Rimbaud
Não tive uma vez uma juventude amável, fabulosa, a ser narrada sobre folhas de ouro - muita sorte ! Por que crime, por que erro, mereci minha fraqueza atual ? Os que crêem que os animais têm soluços de pena, que doentes desesperam, que os mortos tenham maus sonhos, tratem de contar a minha queda e o meu sonho. Eu não posso me explicar mais que o mendigo com seus contínuos Pater e Ave Maria. Não sei mais falar ! Porém hoje creio ter terminado o relato do meu inferno. Era o inferno; o velho, de que o filho do homem abriu as portas. Do mesmo deserto, à mesma noite, sempre meus olhos cansados se abrem para a estrela de prata, sempre, sem que se comovam os reis da vida, os três magos, o coração, a alma, o espírito. Quando iremos, além das praias e dos montes, saudar o nascimento do trabalho novo, da sabedoria nova, a fuga dos tiranos e demônios, o fim da supertição, adorar, - os primeiros! - O Natal na terra ! O cântico dos céus, a marcha dos povos! Escravos, não amaldiçoemos a vida.
Escrito por raugustos às 10h00
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Zé Celso retoma a trajetória de Cacilda Becker no palco | Beth Néspoli, de O Estado de S. Paulo; 3 de outubro de 2009 
Diretor retrata a saga de uma geração ao completar a história da atriz na sua fase carioca dos anos 40 SÃO PAULO - O Teatro Oficina sempre surpreende. Portas abertas, espera-se ver a grande pista de madeira e eis que o espectador se depara com uma tradicional cortina vermelha de palco. Passa-se por ela e lá está a pista, porém suspensa, é preciso descer uma escada para chegar à passarela, que ganhou as linhas sinuosas do calçadão de Copacabana. Próximo à cortina vermelha, o músico e ator Guilherme Calzavara tira um som de seu sax - pouco depois ele entrará em cena como o Zé Carioca, isso mesmo, o personagem dos quadrinhos da Disney. Mas ainda não começou o ensaio de Estrela Brasyleira a Vagar, Cacilda!! - agora com duas exclamações, o segundo espetáculo escrito em parceria com Marcelo Drummond e dirigido por Zé Celso em torno da vida da atriz - acompanhado pelo Estado na noite fria de quarta-feira. Do lado de fora, o percussionista Ito Alves acende o fogo numa espécie de pira, que logo leva para dentro do teatro. No fundo da pista, próximo ao janelão de vidro que deixa avistar o céu, Letícia Coura toca um samba no seu cavaquinho. No centro, vê-se um pequeno palco circular em forma de roleta. Logo sobre ele estará Cacilda Becker - interpretada com por Ana Guilhermina - no Cassino Copacabana, na Companhia de Comédia do galã Raul Roulien, no Rio, na década de 40. Nas duas laterais da pista já estão acomodadas as malas que farão as vezes de camarim para os atores dessa peça, que trata dos bastidores do teatro, mais especificamente, do período que vai de 1941 a 1948, numa trajetória que tem início quando a dançarina Cacilda, com apenas 20 anos de idade, sai de Santos e vai para o Rio integrar o Teatro do Estudante, levada pelo crítico Miroel Silveira (Lucas Weglinski) Vozes aquecidas, músicas ensaiadas, objetos de cena conferidos, o público supostamente já dentro do teatro, a atriz Camila Mota vem ao centro da pista para o aviso padrão de desliguem os celulares... Padrão? Não no Oficina. "Podem fotografar à vontade, colocar as imagens no orkut, facebook, YouTube, onde quiserem. Só não usem flashes", diz ela. E ainda avisa que haverá um bar, debaixo do viaduto, para comer alguma coisa no intervalo. Blackout. No telão aparece Bete Coelho, na montagem anterior, Cacilda!, uma exclamação, despedindo-se da família em Santos para ir ao Rio. De mala em punho, muito emocionada, ela entra no alçapão do teatro. Ato contínuo, sai do centro do palco-roleta Ana Guilhermina, linda e, como o espetáculo revelará, igualmente forte no papel. Ela é Cacilda aos 20 anos e sai em plena Central do Brasil. A cortina vermelha se abre e a sonoridade e o colorido do Rio de Janeiro da década de 40 se instaura na pista. Além de sambistas e Zé Carioca descem pelas escadas os prédios de Copacabana, coloridos parangolés dançantes vestidos por atores. A partir daí o público fará um passeio pela história da atriz, do teatro e do Brasil, no primeiro período aprendizagem da Cacilda, que chega ao Rio aos 20 anos, na época áurea da rádio, do samba, da arquitetura moderna. Pelo palco passam desde Getúlio Vargas e Nelson Rodrigues (Victor Steinberg), Bibi Ferreira (Camila Mota), Procópio e Raul Roulien (Marcelo Drummond), Tito Fleury (Ronaldo Dias Paes), marido de Cacilda, até personagens das peças nas quais a atriz trabalhou. Há ainda um constante diálogo entre cena e projeções nos telões. Por exemplo, numa entrevista realizada pelo jornalista Tito Fleury, Ana Guilhermina faz pose para a câmera e, no telão, surge a foto de época, Cacilda Becker com 21 anos. Zé Celso tomou como base as cartas escritas pela atriz à família. O espetáculo arrebata em muitos momentos e tem entre seus pontos altos a música, sempre executada ao vivo, por uma banda. Na pista, soam as vozes das atrizes-cantoras, fortíssimas: Letícia Coura, Adriana Capparelli, Cellia Nascimento e Naomy Scholling, esta última também de canto lírico. Por que voltar à essa atriz que já rendera Cacilda!, uma das mais bonitas montagens do Oficina? "Teatro se aprende com a geração anterior e o AI5, que matou Cacilda, impediu essa passagem. Era uma geração que fazia teatro para todos. Hoje a cultura está muito setorizada. Memória não é nostalgia, é antropofagia. A memória projeta a gente para o futuro." Depoimento de Zé Celso sobre Cacilda "Eu me entusiasmei com Cacilda desde a primeira vez que a vi em cena. Era uma transmissão elétrica. Magnetizava. Trazia à tona instinto e inconsciente. Tinha o corpo elétrico de que Artaud falava. Era uma atriz ciber, à frente de seu tempo. Temos de aprender com essa geração de Procópio e Grande Othelo. Ela aprendeu e depois comeu os diretores do TBC. Não incorporou aquela interpretação abstrata e cafona de ator inglês com copo de mate leão fingindo ser uísque. Cacilda foi o João Gilberto do teatro. O que ele fez na música, ela fez no teatro, só que não foi assimilada porque teve o corte do AI5. Temos que aprender com essa geração que deu Niemeyer, Darci Ribeiro, Gustavo Capanema, Lina Bardi, Drummond de Andrade, Villa-Lobos, Bidu Sayão, Rádio Nacional, e o samba. O samba é forte, profundo. No samba você chora na alegria e ri na tristeza, é como a tragédia grega. O que faço é teatro rebolado. É essencial para a cultura brasileira retomar isso." Estrela Brazyleira a Vagar - Cacilda!! 330 min. 16 anos. Teatro Oficina (350 lug.). Rua Jaceguai, 520, Bela Vista, 3106- 2818. Sáb. e dom., a partir das 18 horas. R$ 40. Até 15/11
Escrito por raugustos às 11h50
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Benditas | Mart’nália - Zélia Duncan Benditas coisas que eu não sei Os lugares onde não fui Os gostos que não provei Meus verdes ainda não maduros Os espaços que ainda procuro Os amores que eu nunca encontrei Benditas coisas que não sejam benditas A vida é curta Mas enquanto dura Posso durante um minuto ou mais Te beijar pra sempre o amor não mente, não mente jamais E desconhece do relógio o velho futuro O tempo escorre num piscar de olhos E dura muito além dos nossos sonhos mais puros Bom é não saber o quanto a vida dura Ou se estarei aqui na primavera futura Posso brincar de eternidade agora Sem culpa nenhuma
Escrito por raugustos às 12h38
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Feito pra acabar | José Miguel Wisnik/ Marcelo Jeneci/ Paulo Neves Quem me diz da estrada que não cabe onde termina Da luz que cega quando te ilumina Da pergunta que emudece o coração? Quantas são as dores e as alegrias de uma vida Jogadas na explosão de tantas vidas Nesse escudo que não cabe no querer Vai saber se olhando bem no rosto do impossível O véu, o vento, o alvo, o invisível Se desvenda o que nos uni ainda sim A gente é feito pra acabar A gente é feito pra dizer que sim A gente é feito pra caber no mar E isso nunca vai ter fim.
Escrito por raugustos às 15h51
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Poema em Linha Reta | Álvaro de Campos/ F. Pessoa Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Escrito por raugustos às 18h23
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